Como me tornei vegetariana?

Já passei por muitas fases e frequentei diversos círculos sociais. Aparência, gostos, ambições, estilo de vida… Tudo isso foi mudando de acordo com o momento e minhas experiências. Mas a minha essência continua sendo a mesma desde as memórias mais antigas que guardo comigo. Incorruptível. Dentro dela estão alguns sonhos gigantescos e anseios muito profundos, além de uma compaixão infinita pelos animais.

Sempre busquei saber o real processo para uma carne chegar até meu prato. Com isso, me sensibilizava e cogitava a possibilidade de me tornar vegetariana. Por muito tempo ficou apenas nisso: uma possibilidade distante, uma vontade. Na época, dar esse passo na minha alimentação parecia ser muito difícil. Eu não cozinhava, portanto, comia apenas o que meus pais faziam… E em toda refeição eles davam um jeito de colocar alguma carne ou embutido. Sempre que cogitava essa ideia de alimentação diferente do comum, perguntas do tipo “mas o que eu vou comer?”, “como vou suprir a falta de proteína?” e “não sou rica, como vou conseguir fazer essa transição?” gritavam dentro da minha cabeça.

Depois de muito querer mudar minhas atitudes para abraçar toda essa causa, comecei a dar meus primeiros passos. Isso aconteceu no ano de 2017, quando eu me mudei do Mato Grosso para o estado onde nasci, Paraná. É engraçado como depois de se perder em mil e um caminhos diferentes, a gente acaba se encontrando quando voltamos para nosso lar e conversamos com nós mesmos – nossa origem, nossa criança interior, nossa essência… Como queira chamar.

Eu nunca gostei e nem senti vontade de comer carne que não fosse de gado ou frango. Por esse motivo, com exceção de embutidos, nem porco eu comia. Então, a primeira coisa que cortei do meu cardápio, foram os embutidos (presunto, peito de peru, salame, mortadela, etc) e foi algo muito fácil. Percebi que nossa vontade de comer essas coisas é mais pela comodidade de comprar algo pronto e talvez já fatiado, somos preguiçosos e isso economiza tempo – dinheiro, nem tanto. Embutidos parecem ser mais baratos do que realmente são. Peixe eu deixei logo depois também, acho horrível a morte deles se debatendo quando são tirados da água e essa era a única imagem que vinha na minha cabeça… Foi um grande passo para quem era fissurada em comida japonesa. Um grande, porém fácil passo.

2017.

Depois disso, o que eu facilmente chamaria de destino, ocorreu. Passei um tempo ajudando a cuidar de uma chácara e a conexão com a natureza que há tanto tempo eu não me permitia sentir, me preencheu. Fiz amizade com vacas, conheci melhor os carneiros, me simpatizei com galinhas e aumentei ainda mais o meu amor por porcos. É, era a mudança que eu tanto precisava na minha vida. Mas não para por aí. Nesse mesmo período e nesse mesmo local, conheci uma pessoa que era vegetariana há alguns anos que foi fundamental para eu continuar dando mais passos para o meu objetivo. Essa pessoa me apresentou documentários e outras versões de pratos que tradicionalmente levam carne, e eu simplesmente amei. Obrigada, amor (sim, hoje nós somos namorados)! Comecei então, a cortar aos pouquinhos e ir comendo cada vez menos carne. Para ser bem sincera eu teria cortado de vez se não fosse o strogonoff fantástico que a minha tia faz com conhaque e a macarronada divina com almôndegas da minha mãe. Não conseguia dizer não quando tinha esses pratos para comer.

Ainda nessa época eu assisti ao filme Okja, na Netflix. Esse foi o passo crucial para me tornar (ovolacto)vegetariana. Eu, apaixonada por porcos, assistindo um filme a la anime que tem porcos gigantescos e muito fofos que morrem pela indústria da carne. Resultado? Soluços de tanto chorar do início ao fim. Esse filme mudou minha vida, de verdade! Quando ele acabou, eu tentava me recompor enquanto a certeza que eu não comeria mais carne gritava dentro de mim. Parei de comer carne vermelha de vez!

A última carne que deixei de comer foi o frango – mais ou menos um mês depois de deixar as carnes vermelhas. Eu acabava cedendo para os nuggets e bifinhos grelhados… Porém, aos poucos, a textura dessas carnes foi me deixando enojada. Até um dia em que eu quase vomitei um lanche de frango que havia dado umas mordidas. E aí aconteceu o que há anos eu tinha vontade: deixei de comer todos os tipos de carne!

Hoje, deve estar fazendo quase dois anos que estou nesse estilo de vida. Ouso em falar que foi a melhor decisão da minha vida, cada dia me sinto mais feliz e realizada em relação a isso. É um peso enorme que eu já não carrego mais na minha consciência!

Aprendi a fazer strogonoff de diversas formas que ficam tão bom quanto o da minha tia que comentei aqui; as almôndegas da divina macarronada da minha mãe hoje são feitas com lentilha, e olha, são uma delícia!

Meu próximo objetivo é fazer transição completa para o veganismo (sem nenhum produto de origem animal). Em relação a cosméticos e outros itens de beleza está sendo bem fácil, visto que consigo achar umas promoções muuuuito boas. Mas já em questão de ovo e leite, ainda não os abandonei meu cardápio. As vezes, fora de casa, não tem nem opção de algum alimento sem carne, quem dirá algo sem leite/queijo. Sei que é possível e depois que se pega a prática de cozinhar e sair sempre com um lanchinho de casa isso acaba se tornando hábito… Mas, um passo de cada vez, respeitando o próprio ritmo e sendo feliz, não é mesmo?!

Para quem é simpatizante do vegetarianismo, tem vontade de se tornar ou até mesmo já é um, convido a conhecer minha página no Intagram chamada @viva.e.deixe.viver, onde posto muito mais coisas relacionadas a esse assunto.

Vamos trilhar essa caminhada do amor juntos!

Ilustração de Camila Rosa.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: